Quinze anos de atraso. Esse é o panorama do Brasil em relação a usinas solares

O Brasil está quinze anos atrasado na construção de usinas solares fotovoltaicas, em relação a outros países que já a utilizam em larga escala, apesar de três grandes projetos em desenvolvimento na Bahia e em Minas Gerais.

Somente 0,2% da energia do Brasil é solar, segundo os últimos dados do Ministério de Energia, de agosto. Segundo representantes da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Brasil está apenas começando a recuperar os 15 anos de atraso que tem nessa área.

Segundo Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), “Estamos vivendo um ano crucial, com a entrada em operação das primeiras grandes usinas de energia solar. A capacidade instalada, que era menor que 90 MV em janeiro, deveria alcançar 1 Gigawatt até o final do ano, sem levar em conta os outros 2 GW em fase de construção”, acrescenta.
Segundo estudos técnicos, a luz solar no Brasil é muito superior às de países muito mais avançados como a Alemanha. Os especialistas apontam uma “falta de interesse político”, que continua fortalecendo o petróleo e não oferece benefícios fiscais aos investimentos em energia solar.

“Seria necessário reduzir os impostos para estimular os investimentos. Muito mais pessoas iriam querer entrar neste campo, incluindo os particulares, mas não há os meios”, conclui.

No entanto, como ressalta Bruno Fyot, diretor-geral delegado da EDF EN, “no Brasil há vento e sol de qualidade” e “o crescimento da demanda elétrica será importante a longo prazo”.

Um dos projetos que ajudará o Brasil a sair do atraso é o da usina de Pirapora (MG), instalada em um terreno do tamanho de 1.500 campos de futebol, terá mais de um milhão de painéis solares. A implementação deste projeto, operado por uma empresa francesa, teve início em setembro, e a segunda de três fases começou a produzir eletricidade nesta quinta-feira.

O outro projeto foi construído pela italiana, Enerray do Brasil. A empresa é especializada em energia fotovoltaica, subsidiária da SECI Energia da Itália (Gruppo Industriale Maccaferri) e responsável por duas usinas fotovoltaicas em construção no interior da Bahia. As usinas irão gerar 254 MWp e 103 MWp e uma produção anual está estimada em 700 GWh.

Segundo o Diretor da Enerray no Brasil Thomas Kraus, existe uma abundância e disponibilidade de fonte solar em qualquer ponto e localidade do país, possibilitando um maior aproveitamento e geração de energia. “A energia produzida pelo sistema fotovoltaico permite que empresas reduzam significativamente ou até eliminem os custos contraídos com o uso de eletricidade da rede elétrica. Alguns custos adicionais são evitados tais como TUSD (custo de energia elétrica para revenda e do uso da rede de distribuição), taxas etc” completou Kraus.

O sistema é conectado à rede permitindo injetar os excedentes de energia gerada e não consumida ganhando um crédito de energia e ainda possuem longa duração (25-30 anos) com manutenção reduzida devido à falta de peças mecânicas móveis.